Bebê de Itabirito precisa de cirurgia para andar

25/04/2017 (11:26)

Não é novidade para os brasileiros e itabiritenses a situação financeira precária em que se encontram muitas unidades de saúde pelo país. O problema é que quando isso acontece, vidas são descartadas e soluções aparentemente simples para problemas de saúde não são executadas. É o caso do bebê Caio Aparecido Inácio, de apenas 10 meses de idade, que precisa fazer uma cirurgia de correção dos pés. Se nesse prazo essa cirurgia, que deveria ser oferecida pelo SUS, não for feita, o bebê ficará impossibilitado de andar.

Na foto, a mãe Jaqueline  posse dos documentos e laudos e processo judicial relacionados ao seu filho Caio (Sou Notícia)

Entenda

Caio nasceu com pé torto congênito, isso quer dizer que os pés dele são virados e se não forem corrigidos não terão sustentação para que ele ande. De acordo com sua mãe, Jaqueline Bernadete Inácio, isso se deu devido a forma como ele foi gerado no útero. Durante toda a gestação, Caio permaneceu em uma posição desfavorável e, à medida em que seu corpo crescia, seus pés entortavam para abrir espaço para o desenvolvimento de seu corpo. Ainda de acordo com sua mãe, não há histórico de problema semelhante na família e Caio é o primeiro filho do casal.

O bebê, que já tem 10 meses de idade, precisa fazer uma cirurgia reparadora até completar um ano, depois disso, a cirurgia não terá mais eficácia pois as articulações endurecem e ele ficará impossibilitado de andar ao longo da vida. Como o SUS não está fazendo essa e outras operações em MG, por falta de repasse de verba do Estado, Jaqueline precisa arrecadar 5 mil para que seu filho seja operado em, no máximo, dois meses. O valor é relativo apenas ao custeio do hospital e anestesista. A cirurgia só pode ser feita em Belo Horizonte.

“No SUS ele tem o direito e não libera, então o médico não pode cobrar, porque senão o Estado cobra dele. Esse valor é referente apenas ao hospital e anestesista. Outro médico, indicado, faz a cirurgia. Quando levantarmos o valor é rápido, pega o relatório e já marca a cirurgia com urgência”, declara Jaqueline.

Ainda de acordo com a mãe, ela e o marido, possuem baixa renda (ambos recebem um salário mínimo), pagam aluguel e têm dívidas. Eles já tentaram diversas formas de empréstimo a fim de custear a operação, mas nenhuma tentativa teve êxito.

Como medida de urgência, Jaqueline entrou com o pedido da cirurgia na justiça em fevereiro deste ano, mas até agora o processo está paralisado. “Me disseram que muitas outras pessoas também entraram com processo e alguns estão na frente. Faltam quase dois meses para se completar o prazo máximo para a cirurgia dele e eu estou desesperada”, conclui a mãe.

Os dados detalhados do processo não puderam ser consultados pela reportagem pois ele transcorre em sigilo.

Jaqueline em companhia de seu filho Caio (Divulgação)

O tratamento

O tratamento de Caio consistiu em trocas de gesso para corrigir o formato de seus pés e, de acordo com a mãe, Jaqueline, esse processo foi efetivo. Antes do esperado, o formato dos pés foi corrigido, contudo, para que seja dado continuidade a recuperação de Caio, é preciso que a cirurgia seja feita imediatamente.

“Assim que começou o tratamento, o médico deu a guia para a cirurgia. A correção foi bem rápida, doze trocas de gesso e o pezinho dele estava corrigido. O tratamento do pé, agora, é apenas para manutenção, pois sem a manutenção os pés voltam a ficar tortos. Às vezes o médico deixa sem gesso para não forçar, pois os pés estão começando a dar a volta com o gesso”.

Jaqueline ainda contou que, desde novembro do ano passado, seu filho está apto para a cirurgia e aguarda liberação. “Depois que ele fizer a cirurgia, ficará três meses com o gesso, depois troca pela botinha que ele usará por quatro meses direto e, em seguida, ele usa por quatro ou cinco anos, apenas para dormir. Assim, não haverá o risco dos pés entortarem novamente”, esclarece.

A cirurgia consiste em um corte no calcanhar de Aquiles de Caio, o que soltaria um osso que está preso e, assim, permitiria que os pés dele se desenvolvessem normalmente.  Jaqueline ainda acrescenta. “Se ele não fizer essa cirurgia, ele pode ter problemas para andar. Além disso, Caio nem pode tentar andar e como ele está na idade de começar a dar passinhos, ele fica muito nervoso quando não permitimos que ele tente”.

Outro ponto importante é que o problema poderia ter sido corrigido no útero materno, mas Jaqueline fez todo o pré-natal pelo SUS e, segundo ela, apenas um ultrassom foi realizado na gestação e o problema não foi notado. “Só descobri quando ele nasceu, o médico contou e iniciamos o tratamento. Isso nos pegou de surpresa”.

Apelo

A mãe de Caio alegou que procurou a nossa reportagem como última medida, já que ela teria tentado de tudo. Em forma de apelo, Jaqueline pede ajuda aos itabiritenses para que a cirurgia de Caio seja feita. “É um caso sério, eu sou uma mãe desesperada e ouvir toda a verdade que o médico falou, de que ele pode ter sequelas para o resto da vida dói. Eu estou com a cabeça quente. Não consigo pensar em mais nada, porque tudo que estava ao meu alcance eu já fiz e ouvir aquilo do médico foi duro. Se eu pudesse eu faria tudo pelo meu filho, mas eu não posso”, contou emocionada.

“Eu peço para as pessoas que, de alguma maneira, se elas puderem ajudar, eu aceito. Eu não sei mais o que fazer, só pedindo a ajuda de Deus mesmo, só isso. Só falta esse passo para seguirmos em frente”, acrescenta.

Dados bancários

As pessoas que quiserem ajudar na cirurgia de Caio podem depositar valores na conta de sua mãe. Os dados seguem a seguir:

Conta Poupança – Titular:  Jaqueline Bernadete Inácio

Banco: Caixa Econômica Federal

Conta: 13955-0

Agência: 0120

Operação: 013