Telê Santana: de Itabirito para o Mundo, do mundo para Itabirito

29/04/2017 (12:54)

Telê comandou o São Paulo entre 1990 e 1995, tendo sido bicampeão da Libertadores e do Mundial de Clubes ( Divulgação)

O acervo de um dos técnicos mais importantes do futebol já tem lugar definido! Itabirito vai receber um museu que se dedica a história de seu filho mais importante, Telê Santana. O museu contará a história profissional que conquistou o mundo com seu futebol, mesmo sem ganhar uma copa do mundo.

Responsável por apresentar o futebol brasileiro para todo o mundo, o acervo de Telê Santana será em Itabirito, Minas Gerais, terra natal do técnico que marcou a história do futebol. Ainda não há previsão de inauguração do museu, mas já foi dado início a concessão de espaço (onde hoje funciona a biblioteca pública) e já foi elaborado o documento que o instituto Telê Santana assinará com a Prefeitura Municipal de Itabirito.

Para além da história de Telê

A emblemática Copa de 1982 marcou a trajetória de Telê Santana (Divulgação)

O museu será uma farta fonte de informações tanto para os fãs de Telê e itabiritenses em geral, como para os admiradores do futebol como um todo e pesquisadores. Afinal, contar a história de Telê, um dos maiores técnicos que o país já teve, é mostrar, também, a história do esporte no Brasil. “O memorial terá a responsabilidade de fornecer material de pesquisa e consulta do universo do futebol e tudo ligado a ele. Contando a história do futebol também se conta a história da progressão do homem na sociedade”, declara Renê Santana, filho do ídolo Telê Santana.

O técnico, mesmo sem ganhar uma copa do mundo, impressionou por sua maestria em conduzir jogadores e revelar craques. Sua história é de vitórias inesquecíveis e de perdas dolorosas, como a Copa do Mundo de 1982. Em um dos jogos das quartas de final, mesmo o Brasil sendo o favorito, e impressionando o mundo com o seu futebol, com um time repleto de jogadores consagrados como Falcão, Sócrates e Zico, foi eliminado pela Itália por 3×2.

“Com tantas glórias e vitórias acho que uma experiência que me marcou foi a emblemática copa de 1982, muito bem falada, como uma das melhores seleções que o mundo já viu, porém não foi campeã. Ao terminar o jogo, os jogadores estavam em prantos e sensibilizados com a derrota. Telê foi ao vestiário única e exclusivamente para consolar os jogadores.  O técnico chegou a dizer: temos nosso dever cumprido, fizemos o nosso melhor e até mais um pouco. Isso basta!”, conta Renê Santana.

Renê ainda complementou que, mesmo diante da derrota, seu pai foi ovacionado. “Depois disso, quando ele entrou na sala de imprensa, que reunia jornalistas de todo o mundo, foi recebido de pé e com aplausos. Depois de discursar e usar desenhos geométricos para explicar o porquê da derrota, reverenciou seu adversário e, novamente, foi aplaudido de pé durante sua saída”, acrescenta Renê.

O museu

De acordo com Renê Santana, o nome do museu será Vida e Obra do Telê Dentro do Esporte e contará, em paralelo a saga de Telê, a história do futebol no mundo. O museu terá um vasto material que contempla troféus, medalhas, placas comemorativas, fotos e um amplo material audiovisual.

Renê Santana, filho de Telê Santana, disponibiliza seu acervo pessoal para o do futuro Museu Telê Santana, em Itabirito (Gabriela Biló/Estadão)

Renê Santana ressalta, ainda, a importância do museu ser em Itabirito, cidade natal do pai. “Um dos principais homens da história do futebol nasceu em Itabirito, portanto, a história de Itabirito está contida na história do futebol brasileiro. (…) O fato de Telê ter nascido em Itabirito não é o principal motivo para que o museu seja na cidade, mas principalmente porque ele (Telê) foi forjado e alicerçado em seu caráter nessa cidade. Mesmo tendo saído de Itabirito ainda novo, ele foi preparado e maduro para conquistar o mundo. Itabirito é muito mais conhecida do que, talvez, os próprios itabiritenses saibam”.

Alguns objetos que estarão no museu possuem cerca de 67 anos, o que exigiu um grande esforço da família para conservar essas relíquias culturais. Entre elas está a inscrição de Telê como atleta amador de Itabirito, no clube itabiritense. Ainda de acordo com Renê, foi difícil preservar vivo o acervo do pai. “A família fez muito esforço para manter este acervo, porém é difícil manter uma coleção de tantos anos intacta. Por isso, a partir de agora, vamos contar com um lugar e profissionais que manterão esse acervo vivo”.