Mudanças na Base Nacional Comum Curricular causa controvérsias

11/05/2017 (15:43)

Entre as alterações na Base está a alfabetização Infantil (Divulgação/ Internet)

A terceira e última versão da Base Nacional Curricular (BNCC) foi entregue ao Conselho Nacional de Educação, no dia 6 de abril. O documento será uma referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares. As alterações realizada na BNCC causa controvérsia com relação a sua eficácia.

O documento tem como objetivo padronizar 60% do currículo da educação básica, tanto de escolas públicas como privadas estabelecendo habilidades e competências, que as crianças deverão dominar de acordo com a idade. A Ideia é que a maioria dos temas abordados seja igual de Norte a Sul do país, servindo como referência futura para o que será exigido no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Entre as alterações na Base está a alfabetização Infantil. Neste novo modelo a criança deve estar plenamente alfabetizado até o fim do segundo ano do ensino fundamental (criança com sete anos). Na versão anterior, o prazo era o terceiro ano de ensino. Outra mudança é em relação ao período de preparo para alfabetização que caiu de três, para dois anos, sendo considerada por muitos especialistas como precoce.

Segundo Regina Magna Bonifácio, professora e coordenadora do Programa de Pós Graduação em Educação da UFOP, a Base desrespeita o processo adequado de alfabetização da criança. “É um desrespeito ao processo de alfabetização, uma vez que a alfabetização é definida como uma ação mecânica estruturada, que deve ocorrer obrigatoriamente em um determinado tempo, ou em um tempo pré-determinado. É preocupante quando se define que nessa série, ou nesse momento, a alfabetização deve acontecer”.

Mais mudanças

Nesta terceira edição da Base Comum Curricular foi retirada o conceito de gênero e, o ensino religioso será uma disciplina optativa, e sua regulamentação será de responsabilidade de Estados e Municípios. O conteúdo de história passará a ser organizado segundo a cronologia dos fatos, e o inglês passa a ser o idioma obrigatório. Na versão anterior do BNCC, as redes de ensino escolhiam a língua estrangeira que seria ministrada.

Para Regina Magna, a retirada do conceito de gênero e ensino religioso vai contra as próprias diretrizes da Base. “O documento indica conhecimentos que possam contribuir para uma formação humana e integral, que auxilie na construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. A retirada das discussões acerca de gênero e ensino religioso é ir contra as próprias diretrizes da Base. Não se pode pensar nesse tipo de sociedade justa e democrática, se não educarmos no respeito a diversidade e a inclusão”.

Regina Magna complementa ressaltando ser necessário um treinamento e acompanhamento dos profissionais da educação para que a nova Base seja aplicada de forma correta. “Não tem sentido, e parece impossível imaginar que, um documento desses chegue a mão de professores e, que não haja nenhuma discussão e acompanhamento que priorize a formação contínua dos professores que já estão atuando e, uma revisão na formação inicial de professores”, pontua.

Prazo para implementação

A previsão é de que o Conselho Nacional conclua a avaliação do documento até o segundo semestre deste ano. Uma vez aprovada, a BNCC será homologada pelo Ministério da Educação e terá suas diretrizes gerais seguidas por todas as escolas.

As escolas terão dois anos para a implementação dos currículos. Estados, Municípios e o Distrito Federal manterão sua autonomia, o que significa que poderão acrescentar conteúdos e competências.