Cancelamento do Red Bull Minas Riders causa polêmica em Ouro Preto

22/05/2017 (12:52)

Apetrechos colocados para a copmpetição no entorno da praça (Divulgação/vereador Marquinhos do Esporte)

A segunda parte do Red Bull Minas Riders, evento de magnitude mundial que reúne os mais renomados atletas da modalidade Enduro Extremo terminou antes da hora. Previsto para acontecer entre os dias 17 e 21, nas cidades de Ouro Preto, Barão de Cocais e Belo Horizonte, o campeonato não chegou ao seu destino final após uma autuação da Polícia Militar de Meio Ambiente de Ouro Preto.

A confusão começou após a reclamação de moradores da cidade e alguns vereadores acerca da montagem do evento. Já que foram colocadas inúmeras peças para fazerem os obstáculos da prova (vide foto) na Praça Tiradentes. O motivo das reclamações, até então, seriam os transtornos causados pelo novo “cenário” da praça e o fato do evento ter coincidido com a Semana de Museus, importante data do calendário cultural da cidade. Vale lembrar que o principal museu da cidade, Museu da Inconfidência, fica localizado na mesma praça.

Vereadora Regina Braga acredita que eventos como esse (na praça) trazem muitos transtornos à população (Divulgação/vereador Marquinhos do Esporte)

“O Cartão postal da cidade é o Museu da Inconfidência e a praça está tomada pela estrutura do evento. Sou a favor do evento, mas ele deveria acontecer em outro local, pois é um acontecimento importante, que dará visibilidade a cidade, mas o local não foi escolhido adequadamente, causando transtorno no transito da cidade, riscos ao monumento da Praça, etc”, comentou o vereador Marquinho do Esporte em nota divulgada por meio de rede social no dia 16 de maio.

Em reunião da Câmara, a vereadora Regina Braga também manifestou sua insatisfação em relação ao evento. “Hora nenhuma fomos contrários a esse evento em Ouro Preto, pelo contrário, quanto mais eventos desse tipo tivermos, que alavanquem nossa economia e turismo, melhor. O que questionamos é como esse evento com todo aparato dele foi realizado, na praça Tiradentes. (…)Esse tipo de evento traz muitos transtornos para os moradores de Ouro Preto e quem precisa passar pela praça”, declarou a vereadora.

A organização do evento acatou a decisão do MP (Divulgação/RBMR)

O cancelamento

Após a realização de uma das provas do Red Bull minas Riders na quarta-feira, 17, a Polícia Militar de Meio Ambiente esteve na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ouro Preto na tarde da quinta, 18 de maio, a fim de cobrar licenças ambientais para o evento. Afinal, na programação do campeonato as provas passariam por áreas de preservação, como o monumento natural Gruta Nossa Senhora da Lapa, localizada no distrito de Antônio Pereira e pela Área de Preservação Ambiental (APA) das Andorinhas.

De acordo com a polícia, nenhuma licença ambiental foi apresentada pela Secretaria de Meio Ambiente de Ouro Preto, nem pelos organizadores do evento. A polícia ainda alegou que houve degradação das trilhas e supressão da vegetação nas áreas pertencentes ao município de Ouro Preto.

Em resposta a cobrança do Ministério Público à organização do evento, os empreendedores alegaram que as trilhas do percurso foram sugestão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que passariam pela zona de amortecimento da Floresta Estadual do Uaimii. A gerente do local também chegou a se manifestar contrariamente a passagem do evento pela floresta.

Na sexta-feira, 19, a polícia apreendeu motos de participantes do evento e o Ministério Público expediu um liminar exigindo a paralisação do evento no sábado,20. A organização do evento confirmou o cancelamento das etapas seguintes e antecipação da final.  O responsável pela organização do Minas Riders, o romeno Martin Freinamedetz, comentou. “Estamos há um ano conversando com todas as autoridades ambientais e definindo o trajeto da prova e temos autorizações de todos os órgãos responsáveis. Infelizmente, no último momento, a polícia pediu para fazer mais algumas análises de risco e optamos por cooperar e antecipar o final da competição, já que os pilotos não podem aguardar”.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ouro Preto, todos os trâmites legais foram seguidos para a autorização do evento. “Para que fosse realizado na Praça Tiradentes, o Red Bull Minas Riders passou por diversos trâmites e seguiu a legislação que todo evento realizado na cidade precisa seguir, com aprovação da Secretaria de Cultura e Patrimônio e do IPHAN”, informou o órgão.

Polêmica

A decisão das autoridades ouro-pretanas gerou muita polêmica entre fãs do esporte e moradores da cidade. Um blogueiro do esporte comentou em um texto. “Não estou vendo o hoje e o agora, estou vendo na frente, acredito que NUNCA mais teremos uma prova desse nível aqui no Brasil. E a repercussão que isso vai dar, ira acabar de ferrar possíveis outras eventos que poderiam vir”, escreveu.

Outro internauta, em um famoso grupo do Facebook na cidade comentou. “Mas esse Ouro Preto é de ter vergonha mesmo. Primeira vez que recebemos um evento mundial, tivemos o privilégio de ser em OP, uma cidade histórica, que nunca tem eventos para nos proporcionar momentos de lazer e felicidade e acontece essas coisas. Agora sim nossa cidade está falida mesmo. Teremos que ouvir os piores comentários de nossa cidade e, assim, claro diminuirá os turistas que por aqui passam”, declarou.

Muitos moradores da cidade, em contrapartida, se posicionaram como favoráveis à decisão do MP. “Foram notificados no dia 4. Quiseram fazer na marra, contando com um jeitinho brasileiro de sempre e deu no que deu. Agora estão por toda mídia metendo o pau na cidade. Vamos ver o que os responsáveis vão fazer”, alegou uma outra internauta.

“O que tem a cidade a ver com isso? A primeira coisa que a Red Bull e os promotores do evento tinham obrigação e responsabilidade legal era de providenciar o licenciamento completo do evento e seguir leis de trânsito mínimas, como placas nas motos. A única coisa que a PMOP forneceu foi o alvará do espetáculo na Praça. Um dos muitos documentos que os promotores deveriam ter feito há tempos. O resto era com os órgãos estaduais”, comentou outra pessoa.