Opinião

Tatuagem: a Moda que Marca

A tatuagem nunca esteve tão na moda.

É impossível ir a praia, sair na rua e não encontrar um desenho estampado no corpo das pessoas. Para muitos, a tatuagem é um modismo, ou seja, logo passa e assim virá outra febre. Contudo, a tatuagem tem se tornado uma mania mundial e que traz dados interessantes.

Nos Estados Unidos, existem mais de 40 milhões de pessoas adeptas do tal fetiche. Na Europa, o aumento da demanda de origem a uma nova disciplina acadêmica, a Psicologia da Tatuagem, ensinada nas Universidades de Milão e Roma (Revista Galileu, n.º 86).

O que leva uma pessoa a fazer de sua pele moldura para um desenho eterno? É licito ao crente marcar o seu corpo? O que a Bíblia diz sobre isso?

Tatuagem: Implicações Históricas

O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto a humanidade. O livro “O Brasil tatuado e outros mundos – Toni Marcos” relata uma evidência concreta de tatuagem na pré-história. Um corpo congelado, encontrado na Itália em 1991 e datado de 5300 AC, tinha tatuagens na região lombar, no joelho esquerdo e no tornozelo direito. A tatuagem deixou vestígios no antigo Egito e Mongólia de 400 AC, nas civilizações pré-colombianas e até nos autos da inquisição.

O principal nicho foram as ilhas da Polinésia, no sul do Oceano Pacifico, onde a tribo como a dos Maori usavam ossos pontiagudos para tatuar o corpo inteiro, inclusive o rosto – ritual de transformação do menino em guerreiro e da menina em esposa.

No Brasil, a história é parecida. Urucum e Jenipapo forneciam as tintas introduzidas na pele dos índios, muitos anos antes da chegada dos portugueses. Contudo, somente a partir da década de 70, com a geração hippie e os surfistas do Rio de Janeiro, é que houve a disseminação da Tatoo.

Apesar do modismo, a tatuagem não sai do corpo, ou seja, é impossível removê-la, e ao contrário de um modismo, não pode ser trocada a cada estação.

Um dos métodos mais avançados para se remover a tatuagem é o chamado PHOTODERM, uma máquina a laser que remove a tinta. Segundo o cirurgião Cláudio Roncai: “É um tratamento demorado e caro e o aparelho não representa a solução definitiva, pois normalmente sobram vestígios de pigmentos na pele” (Revista Galileu, n.º 86).

As pessoas que se tatuam, normalmente, sofrem discriminações, pois podem ter objeções numa entrevista de recrutamento das grandes empresas. Lizete Araújo, vice-presidente da CATHO, uma firma de consultoria em recursos humanos especializada na recolocação de executivos, afirma: “Normalmente, as empresas adotam os valores da sociedade, que, de maneira geral, ainda rejeitam esses adereços” (Revista Galileu, n.º 86).

Desde da década de 1950, os cirurgiões tentam amenizar a angústia de quem um dia desobedeceu um princípio social e familiar, afirmando que “o corpo é meu”, e sofreu o preconceito e agora se encontra arrependido.

As implicações sociais da tatuagem são muito sérias – discriminação da família e da sociedade.

Tatuagem: Implicações Religiosas

Segundo o psicólogo Miguel Perosa, professor da PUC de São Paulo, o desenho escolhido tem sempre a ver com o íntimo de cada um. “Através da tatuagem, a pessoa quer dizer algo de si mesma. O dragão por exemplo, testemunha o desejo de autoafirmação” (Revista Galileu, n.º 86).

Além dos símbolos, o local usado também tem muito a dizer:

  • Tronco – denota capacidade de decidir;
  • Braços – significa que o indivíduo está atravessando uma fase de lenta maturação;
  • Pernas – indica pessoas infantis e pouco reflexivas.

Analisando o uso da tatuagem pelas nações tribais, percebemos que estão sempre ligadas a questões religiosas. Portanto, não é apenas um protesto juvenil, mas faz parte de uma vinculação de crenças com imagens impressas no corpo.

Pelo contexto das leis levíticas, podemos compreender que:

  1. Os golpes e marcas no corpo tinham relações com rituais pagãos e até fetiche envolvendo a memória de mortos;
  2. As impressões corporais não eram apenas enfeites, mas faziam parte da identificação e vinculação da pessoa com crenças em deuses e rituais pagãos;
  3. Era uma violência contra o corpo físico.

Baseado nisso, podemos afirmar que não é recomendável que um cristão, sob qualquer pretexto, marque seu corpo com figuras ou qualquer imagem, pois:

  1. O cristão e, evidentemente, seu corpo são templo do Espírito Santo. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6.19-20).
  2. Qualquer traço de identificação que exista nele deve remontá-lo, deve vinculá-lo ao Senhor de sua vida, ao Senhor de seu corpo. “Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (Gálatas 6.17).
  3. A marca identifica o possuidor, e as tatuagens identificam o indivíduo com outros deuses. “E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” (Apocalipse 14.9-10). O dragão, preferência absoluta entre os jovens, remete a criação humana e testemunha o desejo de autoafirmação (Revista Galileu, n.º 86). O dragão na Bíblia simboliza Satanás. “E VI descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.” (Apocalipse 20.2).

Finalmente, é bom salientar três realidades, vinculadas a aquele que se tatua:

  1. Enfeitar o seu corpo, mesmo que seja com uma rosa, o estaria vinculando a um possuidor estranho ao Senhor, por se tratar de uma prática milenar pagã.
  2. A prisão de uma imagem que uma pessoa imprime no seu corpo é capaz de marcá-la:
    Socialmente – por causa da discriminação e preconceito;
    Emocionalmente – porque a tatuagem é uma marca permanente;
    Espiritualmente – por indicar sua vinculação a uma prática pagã.
  3. Se desejamos marcar o nosso corpo, que estas marcas seja o símbolo da nossa devoção ao Senhor Jesus.
    Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (Gálatas 6.17).

 

Pastor Anderson Martins é presidente da Assembleia de Deus Missão – Ministério Itabirito, presidente do Conselho Educativo de Evangélicos de Itabirito (Colei), presidente da Associação Projeto Resgate Comunidade Terapêutica, filiado à Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB), Capelão pela União dos Evangélicos do Brasil (UceBras). Casado, pai de quatro filhos, formado em Teologia pela Escola Bíblica Permanente Sião e comunicador. Tem sempre uma palavra de motivação e sabedoria para seus leitores e ouvintes. 

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