Itabirito

Dia do Profissional de Letras é celebrado nesta segunda-feira (21)

O profissional de Letras é fundamental para diversos aspectos da sociedade e da produção de conteúdo.

Nesta segunda-feira (21) é comemorado o Dia do Profissional de Letras e também o Dia da Língua Nacional. A data serve para reforçar a importância do estudo da língua na vida das pessoas e também sobre a valorização de profissionais e pesquisadores na área.

O profissional de Letras estuda muitos temas, que entre eles incluem a história, a estrutura e o funcionamento de uma ou mais línguas e a cultura e a literatura de povos, os modos de falar e a dinâmica das culturas através do tempo. Já a língua é o meio de expressar a maneira pela qual o povo compreende o mundo, assim como é o meio com o qual esse mesmo povo se apresenta ao mundo e se posiciona nele.

O curso de Letras estuda a língua portuguesa, idiomas estrangeiros, e suas respectivas literaturas, sendo oferecido geralmente em duas modalidades: licenciatura e bacharelado. Há cursos que fornecem a modalidade de formação de escritor, como o curso da PUC Rio. O primeiro curso de Letras no Brasil foi oferecido em 1933 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, que, em 1946, se tornaria a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Ao Sou Notícia, o professor e mestrando em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Carlos Henrique de Brito Furquim, fala um pouco sobre sua trajetória dentro do curso; o que o motivou a seguir essa área; e suas percepções sobre a educação no Brasil atualmente.

“Eu estava no terceiro ano do ensino médio, em 2011, com os meus 17 anos, e queria tentar o vestibular. O que me levou a fazer o curso de Letras foi o meu grande interesse sobre a área das humanidades e por gostar de escrever; uma vontade sempre consumida de ler livros de historiografia, literatura, filosofia, e nunca que se findava. Isso tudo foi me levando a pensar futuramente em decidir cursar Letras.

Por ser tão jovem naquela época, como qualquer outro jovem, tinha muitas dúvidas sobre o que queria fazer na minha vida. Como ex aluno da escola pública tive a oportunidade de ser bolsista em um colégio de irmãs franciscanas em minha cidade, São Lourenço – Sul de Minas. A escola preparava – e ainda prepara – os alunos para o vestibular. No primeiro ano do ensino médio eu queria muito fazer agronomia, pois sempre gostei muito de plantas, mas ao longo do ensino médio, com os estímulos da minha professora de História e das minhas professoras de Língua Portuguesa e Literatura fui me encontrando nas humanidades. Decidir qual curso fazer foi difícil, por isso precisei de buscar orientação vocacional para fazer a escolha certa! Fiz uma série de atividades de autoconhecimento no decorrer daquele ano e no final do processo de preparação pro vestibular, após o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), eu tinha em mente cinco cursos que gostaria de fazer, sendo eles: Letras, História, Filosofia, Artes Cênicas e Relações Internacionais. Com ajuda da orientação vocacional, fui afinando melhor minhas escolhas até decidir cursar Letras e na UFOP…a escolha foi certeira e prazerosa!”, revela Carlos, sobre o interesse de entrar para o curso de Letras.

O curso de Letras da UFOP possui cinco habilitações. Duas licenciaturas, uma em língua portuguesa e uma em língua inglesa. Três bacharelados: estudos linguísticos, literários e em tradução. Carlos conta que ingressou no curso já pensando em qual área seguir: “Eu entrei no curso de Letras por conta da literatura. Sempre gostei muito de literatura. No ensino médio esse desejo se intensificou e foi o que me levou a cursar Letras. Eu não tinha a visão que eu tenho hoje. As disciplinas e o curso vão abrindo muito a nossa mente. O forte do curso de Letras da UFOP é a formação de professores. O curso de licenciatura em língua portuguesa tem muitas disciplinas voltadas para a área da educação, além dos estágios supervisionados e projetos de docência, monitoria e afins como a pesquisa. Então eu sabia que estava entrando no curso pela licenciatura. E isso não mudou. O que mudou foi minha concepção de língua; a visão que eu tenho sobre o que eu trabalho hoje; a visão sobre o mundo e como, enquanto profissional da área de Letras, posso contribuir com a sociedade. Hoje, por exemplo, estou fazendo mestrado em Letras na mesma instituição que me graduei e atuo na linha da pesquisa de Linguística Aplicada. Estou fazendo uma pesquisa transdisciplinar e ela dialoga com literatura, linguística aplicada, filosofia, estudos culturais e outros campos. O curso me permitiu, através dos projetos, eventos e disciplinas, aperfeiçoar o que queria trabalhar e encontrar o que queria discutir na continuidade da minha formação acadêmica.”

Para Carlos, a educação no Brasil é uma questão muito séria. Ele acredita que, apesar dos “dois últimos anos de retrocesso; de uma política temerosa;” desde o início do século XXI o Brasil passou por avanços na educação. O jovem reforça que pensar na educação hoje é refletir sobre uma amplitude que é composta por muitas realidades, cada uma com sua complexidade: “Quando falo isso me refiro às diversas regiões do Brasil – não somente a região Sudeste, que sempre foi privilegiada; com foco maior da política brasileira, assim como o Distrito Federal – que ainda estão em desenvolvimento para facilitar o acesso à educação. Não apenas sobre ter escolas com profissionais qualificados, equipamentos e estrutura adequada, uma vez que nem todas escolas tem os subsídios necessários, mas também em relação à estrutura para o aluno acessar a instituição, como o transporte; o tempo de deslocamento; as condições financeiras da família para investir em estudos. Já tive alunos que ficaram anos sem estudar porque o deslocamento da sua casa até a escola era inviável. A educação no Brasil é complexa porque temos que pensar em todos os problemas que existem e nos avanços, e como podemos melhorar o que precisa ser melhorado. É preciso pensar nas políticas educacionais e se elas incluem ou excluem os diversos sujeitos que possuem direito à educação, afinal de contas o acesso à educação é um direito de todos os cidadãos”, afirma o mestrando em Letras.

O profissional de Letras, segundo Carlos, não está ligado apenas à educação. O mercado é bem amplo e exige muita qualificação, sendo preciso construir uma rede profissional a longo prazo, através das oportunidades que vão surgindo com o tempo. O mestrando finaliza com um recado para quem deseja seguir essa carreira: “Não é uma área ligada apenas ao ensino. É possível ter profissionais de Letras, a depender da sua especialização, em diversos espaços sociais, sendo possível ser, além de professor, revisor, agente literário, trabalhar com projetos culturais, com tradução de textos, mercado editorial, com tudo que envolve a língua de um modo geral. Há profissionais de Letras trabalhando com tecnologias digitais e até mesmo na área forense, por exemplo. Quem planeja seguir essa carreira precisa estar muito certo de que é isso que quer fazer e mergulhar.”

Ficou interessado em cursar Letras? Apesar de não ter uma instituição de ensino que ofereça o curso em Itabirito, é possível ingressar numa universidade pública em cidades próximas, como Mariana e Belo Horizonte. Na UFOP, em Mariana, por exemplo, são 50 vagas por semestre, sendo 40 vagas para as licenciaturas e 10 vagas para os bacharelados, em dois processos seletivos durante o ano, usando a nota do Enem, sendo que a cada semestre há alternância de entrada entre os períodos diurno e noturno.

Já na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, por ano, entram no curso de Letras 420 estudantes, sendo 210 a cada semestre: 80 para o horário diurno e 130 para o noturno. É possível fazer uma licenciatura simples, que forma professores de português ou de língua estrangeira; uma licenciatura dupla, para docentes de língua portuguesa e de uma língua estrangeira moderna ou clássica; e bacharelado. Na licenciatura, as habilitações são: Alemão, Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Italiano, Latim e Português. No Bacharelado as opções são: Alemão, Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Italiano, Latim, Linguística e Português.

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