Comportamento

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil na Rua é marcado pela falta de informação e dados estatísticos

Invisíveis, meninos e meninas trabalham em sinais comercializando mercadorias, fazendo malabares, entre outras ocupações.

O dia 23 de julho é o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil na Rua, mas a data está longe de ser uma comemoração, ainda falta informação e números sobre as ocorrências de trabalho infantil.

O comércio de produtos e as rápidas performances com malabares nos faróis de vias movimentadas são as principais atividades exercidas na cidade ao longo das últimas décadas e está entre as 93 atividades consideradas como as piores formas de trabalho infantil.  Esse tipo de trabalho não aparece nos dados sobre trabalho infantil e há dificuldade na inserção desses meninos e meninas nas políticas de enfrentamento e prevenção.

“As piores formas são aquelas que trazem os maiores prejuízos ao desenvolvimento saudável da criança e do adolescente. Todas as atividades de alguma forma trazem isso, mas algumas são mais graves ao afetar o desenvolvimento físico, psicológico e moral”, explica Elisiane dos Santos, procuradora do MPT/SP e coordenadora Nacional da Coordinfância (Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente).

O número de crianças trabalhando nas ruas não é preciso. A última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) que pode apontar essa situação é a de 2015. No estado de São Paulo havia 460 mil pessoas com menos de 18 anos trabalhando. Em relação ao município, não temos levantamento recente, já que o Censo é realiza apenas a cada dez anos.

“O próximo Censo ocorrerá em 2020. Mas o Censo faz o levantamento apenas dos 10 aos 17 anos. É diferente da PNAD que vai desde os 5 anos. Isso quer dizer que esse número de crianças trabalhando é maior”, conclui a coordenadora nacional da Coordinfância.

Consequências

O trabalho infantil aumenta os riscos de abuso sexual, consumo de drogas, aliciamento pelo tráfico, má formação física, traumas psicológicos e acidentes, como atropelamentos. Além disso, trabalhadores mirins têm maior risco de tornarem-se trabalhadores escravos na vida adulta ou moradores de rua.

Questões ligadas a problemas físicos como queimaduras, envelhecimento precoce, câncer de pele, desidratação, doenças respiratórias, hipertermia, traumatismos, ferimentos, também são consequências do trabalhado praticado por crianças e adolescentes.

Trabalho de conscientização

A Cidade Escola Aprendiz/Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), está com um projeto especial: Chega de Trabalho Infantil. O projeto está com ações na cidade de São Paulo para conscientizar as pessoas sobre a compra de produtos vendidos por crianças e como agir nesses casos.

“Culturalmente, o trabalho infantil ainda é bem aceito por grande parte dos brasileiros. Campanhas de comunicação como as que temos feito são de fundamental importância para esclarecermos  a gravidade do problema e, assim, ganharmos mais aliados para sua erradicação”, conta Roberta Tasselli, gestora de Comunicação para o Desenvolvimento da Cidade Escola Aprendiz.

A melhor forma de combater o trabalho infantil é acionando a assistência social por meio da central de atendimento SP 156, em vez de comprar produtos ou dar dinheiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Botão Voltar ao topo
×