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ENFERMEIRAS SÃO AMEAÇADAS PARA DAR DOCUMENTO QUE GARANTE MESADA DA VALE

Uma semana atrás, já havia anoitecido e a enfermeira-chefe de um posto de saúde de Brumadinho (MG) não conseguia deixar a unidade. Uma mulher a ameaçava: “só sai daqui depois que me der o comprovante”. A Polícia Militar foi acionada e um boletim de ocorrência, registrado na delegacia.

O caso, confirmado pela Polícia Civil do estado, não é fato isolado. Há dois meses, as profissionais que coordenam as unidades de saúde do município têm sido alvos de grosserias, intimidações e ameaças por parte de moradores que querem um comprovante de endereço para receber os pagamentos emergenciais da Vale.

Por causa do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, que já deixou 228 mortos, 49 desaparecidos e muita gente sem casa e fonte de renda, a mineradora terá de pagar mensalmente ao longo de um ano um salário mínimo (R$ 998) para todo adulto, meio salário mínimo (R$ 499) para todo adolescente e um quarto de salário (R$ 249,50) para toda criança residente em Brumadinho ou dentro de 1 km da calha do rio Paraopeba, até o município de Pompéu. Mas todos precisam provar que residiam nessas localidades no dia da tragédia, 25 de janeiro.

A Vale aceita conta de água ou luz no nome da pessoa, declaração da escola ou faculdade em que a criança ou jovem está matriculado, cadastro na Justiça Eleitoral, entre outros comprovantes. Mas quem não dispõe de nenhum deles pode ir à unidade de saúde onde tem cadastro e pedir uma declaração assinada pela enfermeira responsável. No caso de Brumadinho, o fornecimento do documento nos postos ficou acertado entre a mineradora e a Secretaria Municipal de Saúde no fim de fevereiro.

O problema é que a corrida aos postos está maior do que o esperado. A maioria dos 80 a 100 mil possíveis beneficiários, segundo estimativa da Vale, pertence a Brumadinho. E as enfermeiras-chefes dos postos são quem têm sentido mais diretamente os efeitos dessa demanda.

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2 Comments

  1. Separação por FLOTAÇÃO do concentrado do minério a parcela mais leve é retirada por aeração da mistura do minério de ferro moído com aditivos e água formando polpa. O concentrado de ferro se deposita no fundo e os aditivos utilizados são a parte menos densa por adesão às bolhas depositada nas barragens de rejeito junto com sílica, alumina e contaminantes do minério e continuam atuando por tempo indeterminado mantendo os materiais das barragens numa condição de “polpa” junto com o Oleato de Sódio (ÓLEO) e amido. Ganância e corrupção dos Órgãos de controle do Brasil que vem de décadas.

  2. ABSURDO QUE ESSAS MINERADORAS LIDERADAS PELA VALE S/A CONTINUEM A POLUIR E ACABAR COM OS MANANCIAIS DE ÁGUA. Cadê CODEMA, FEAM, COPAM e outros Órgãos de controle ambiental mantidos COM OS IMPOSTOS QUE PAGAMOS e que tem a obrigação legal de agir quando são demandados: IGAM, Comitê da Bacia do Rio das Velhas, Subcomitês das bacias dos Rios, IEF, IBAMA, ICMBio, MPMG, e outros? Será que nenhum destes Órgãos vai resolver as questões desta mineradora que matou centenas de pessoas e nascentes de água em Mariana, Itabirito, Moeda, Brumadinho e Barão de Cocais?

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