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Reunião discute melhoria da segurança em Brumadinho

Atenta ao fato de que a tragédia ocorrida em janeiro deste ano pode interferir na dinâmica social da cidade, inclusive nos índices de crimes violentos da região, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) se antecipou e, em caráter emergencial, decidiu implantar dois de seus programas de prevenção social a criminalidade, Fica Vivo! e Mediação de Conflitos, nos dias subsequentes à tragédia. Os bons resultados da iniciativa, que vem sendo desenvolvida em um espaço provisório, cedido pela prefeitura, fizeram com que a prefeitura acatasse o projeto de um imóvel mais adequado e definitivo para cessão ao Estado. A proposta foi apresentada pela Sesp nessa quinta-feira (14/6), durante um grande encontro, coordenado pela pasta, que reuniu diversas instituições para discutir e definir ações que poderão ser implantadas ou melhoradas na segurança do município, de forma integrada, para aprimorar o atendimento prestado à população local.

“Estamos dando atenção a esta população atingida, para ver o que mais podemos fazer por ela na área da segurança. Queremos ajudar a cidade, de forma integrada e qualificada. Nós não viraremos as costas” enfatiza o secretário de Estado de Segurança Pública e de Administração Prisional, General Mario Araujo. Ele afirma que os programas de prevenção são ferramentas fundamentais para o combate à criminalidade. “Trabalhar a prevenção dos jovens, por exemplo, é mais eficaz e custa bem menos que uma manutenção posterior no Sistema Prisional ou Socioeducativo. Cada crime prevenido, cada jovem não atingido, é uma economia para a segurança; mas, principalmente, é tranquilidade pra os moradores”, avalia o secretário.

O Fica Vivo! tem foco na prevenção e redução de homicídios de adolescentes e jovens, por meio da oferta de diversas modalidades de oficinas: esporte, dança, maquiagem, teatro, dentre outras. As escolhas têm como critério a demanda e os anseios dos moradores de cada região. Já o programa Mediação de Conflitos fomenta acesso a direitos e meios pacíficos de resolução de divergências, a partir dos fundamentos da Mediação Comunitária, impactando na redução de possíveis desdobramentos em homicídios, violência e violações.

“Atuamos com pessoas em situação de vulnerabilidade e territórios em situação vulnerável. Fizemos um diagnóstico da comunidade de Brumadinho, para avaliar fatores de risco, valores culturais e todas as peculiaridades sociais. Após eventos trágicos, como esse, as pessoas ficam mais suscetíveis e mais vulneráveis a fenômenos violentos. Nós queremos evitar que isso aconteça. Brumadinho não é um território violento, mas é necessária uma intervenção desde já, para que não ocorra uma evolução dos crimes”, explica a subsecretária de Políticas de Prevenção Social à Criminalidade da Sesp, Andreza Gomes. Ela conta que a decisão de intervenção foi emergencialmente e efetivou-se, mesmo sem a previsão de recursos, para ajudar a população local.

A gestora social da unidade de prevenção social a criminalidade em Brumadinho, Regiane Dias Santos, conta que alguns jovens do município trabalhavam em plantações de horta, e, com a queda da barragem, perderam o trabalho e família. “Perderam a referência”, revela a gestora. Ela diz que a equipe também está definindo um plano de ação para o município, que irá capacitar a rede pública local para “comunicação não violenta” e “atendimento à mulher vítima de violência”.

Durante a reunião, o superintendente de Planejamento, Gestão e Finanças, delegado-geral Fernando Dias da Silva, também disse que irá entregar uma viatura nova para o município de Brumadinho

Prisional

Antes do encontro, que aconteceu no período matutino e vespertino, o General Mario Araujo visitou o Presídio de Brumadinho, acompanhado pelo subsecretário de Administração Prisional, Rodrigo Machado. Ele também conheceu as atividades e as oficinas de ressocialização desenvolvidas com os detentos da unidade.

Levantamento de recursos

Outras ações de segurança foram avaliadas durante a reunião e deverão ser alvo de prospecção de recursos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, demais instituições de segurança e Prefeitura de Brumadinho.

No evento, o comandante da 2ª Região de Polícia Militar, Coronel Eduardo Felisberto Alves, também destacou a integração entre as instituições de segurança, durante a maior operação de busca do Brasil. “A polícia militar atuou para proteger as áreas de busca, resguardando o competente trabalho desenvolvido pelos bombeiros militares, enquanto a Polícia Civil se empenhou no reconhecimento dos corpos localizados”.

Os representantes das corporações concordam que esse trabalho integrado, executado na região, seria potencializado com a construção de uma Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) – estrutura que abarcaria trabalhos da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. A Prefeitura se disponibilizou a fazer uma prospecção de recursos para atender a iniciativa.

“Brumadinho comporta a área integrada, principalmente porque os trabalhos já são alinhados”, disse a assessora de Planejamento Institucional da Polícia Civil, Delegada Águeda Bueno.

“Devido à demanda da região, os bombeiros planejam a criação de uma fração do Corpo de Bombeiro em Brumadinho e está embusca de parcerias para implementação. Em 2018, os militares atenderam 261 ocorrências na região”, destacou na reunião o Comandante do 2º Batalhão de Bombeiros Militar, situada em Contagem, Major BM Luiz Henrique dos Santos.

Para amenizar o sofrimento dos familiares, as forças de segurança trabalham de forma ininterrupta para a identificação dos corpos, desde o trágico evento. Das 270 vítimas da tragédia, a Policia Civil já identificou 246 – mais de 90% de identificações. Hoje, 135 bombeiros ainda atuam nas buscas.

Mariana

A cidade de Mariana, que também foi atingida por um rompimento de barragem em 2015, também recebeu uma atenção especial da Segurança Pública do Estado. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) promoveu o encontro integrado com as forças de segurança do município dia 7 maio deste ano.

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2 Comments

  1. Sou Técnico de Mineração ETFOP e Engenheiro de Minas EEUFMG. O processo de concentração do minério de ferro adotado pela VALE S/A nas minas onde as barragens se romperam e nas outras 11 minas interditadas se denomina Flotação. É a separação mecânica de rejeitos por aeração com base nas características físico-químicas dos componentes de uma mistura. Trata-se da separação da parcela mais rica em ferro dos minérios finamente moídos dos rejeitos que são a sílica, alumina e outros contaminantes. Neste tratamento industrial o minério passa por um processo de “flutuação” da parcela mais leve por aderência às bolhas de ar na aeração da mistura do minério de ferro moído com os aditivos e água. Este material recebe o nome de “polpa”. Para isto são utilizados separadores onde se colocam esta polpa. O nome do minério de ferro é o Itabirito, composto por camadas sucessivas de ferro e sílica contaminada com alumina e outros componentes minerais. O concentrado de ferro se deposita no fundo dos separadores e os aditivos utilizados fazem a parte menos densa “flutuar” por adesão às bolhas de ar que são insufladas nas “bacias” dos Separadores e são posteriormente depositados nas barragens de rejeito junto com a sílica, a alumina, os contaminantes do minério moído, a água e os aditivos que continuam atuando por tempo indeterminado e mantendo os materiais depositados nas barragens numa condição de “polpa” indefinidamente, atrapalhando a sua sedimentação adequada no fundo das barragens. Esta sedimentação expurgaria a água e tornaria os maciços mais estáveis, podendo ser compactados e revegetadas com cobertura de material orgânico fora dos vales de rios ou cursos d’água como foi feito até então. Porque é que a polpa direcionada às barragens não se sedimenta: A parcela que é aproveitada na pelotização é o concentrado de ferro, mas a parcela contaminada com material silicoso-aluminoso junto com o Oleato de Sódio (ou outro material OLEAGINOSO), Amido e os outros contaminantes é gerada em grandes volumes e não tem destinação que gere lucro para as empresas e não permite a compactação por décadas e décadas. As próprias empresas não saberiam afirmar quando é que este tipo de material se sedimentaria. Não existem exemplos práticos sobre a questão. Isto a empresa não informou e a imprensa não pesquisou. A VALES/A matou duas das principais bacias hidrográficas de MG e porque não do Brasil. Centenas de vidas ceifadas e o maior desastre ambiental da história deste país. A VALE S/A já sabia que todas as barragens já tinham problemas há anos. Agora que os desastres já aconteceram adotaram a estratégia de dar avisos de emergência em todas as 11 barragens interditadas. Logo após o segundo acidente o ex Presidente da empresa Schvartsman anunciou que iriam “DESCOMISSIONAR” as barragens, aquelas que foram interditadas por altíssimo risco. Ele não divulga que “DESCOMISSIONAR” significa reprocessar o “rejeito” estocado há 30, 40 anos ou mais com altos teores de ferro. Antigamente os processos ineficazes de concentração geravam rejeito muito rico em ferro. Esta estratégia “brilhante” reprocessará o material moído contendo Oleato de Sódio e Amido, recuperando minério rico, mantendo minas interditadas em operação gerando lucro. Órgãos de controle e imprensa são mal informados ou coniventes. A VALE S/A está blefando e enganando a população e os Órgãos de Controle mais uma vez, ou comprando os caras. Vejam que já existe um deslizamento de talude ao lado direito do local do possível novo deslizamento na Mina de Gongo Soco em Barão de Cocais. Isto aconteceu no passado e ninguém ficou sabendo. Com certeza a empresa não comunicou isto a ninguém. Perguntem isto aos empregados mais antigos da empresa. Agora estão aproveitando que já estão todos literalmente na lama e estão fazendo este alarde para limpar um pouco a imagem da empresa antes de um novo possível mega desastre socioambiental.

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