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Suposto abuso sexual de aluno de 3 anos no Colégio Magnum é investigado pela Polícia Civil

Suspeito é assistente de um professor de educação física e foi afastado, segundo a unidade Cidade Nova da escola

Um tradicional colégio particular de classe média da região Nordeste de Belo Horizonte está envolvido em uma suspeita de escândalo sexual que tem como vítima um aluno de apenas 3 anos. O garoto teria sido estuprado pelo assistente do professor de educação física. O caso foi denunciado à Polícia Civil e a 2ª Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) está à frente das investigações.

A unidade Cidade Nova do Colégio Magnum, onde os abusos teriam acontecido, informou, por meio de nota, que, na última sexta-feira, a direção da unidade ouviu os relatos dos pais das crianças, de uma professora e um médico, sobre a mudança de comportamento do filho e sobre a conduta do suspeito, que é um colaborador, segundo a instituição.

“Foram colocadas à disposição da família as assessorias jurídica e psicológica, e o profissional envolvido foi afastado de suas funções para auxiliar na transparência das apurações”, informou o Colégio Magnum, por meio da sua assessoria de imprensa.

Ainda de acordo com a escola, todos os gestores e coordenadores de Ensino e Formação da Instituição estarão reunidos para estabelecerem medidas de apoio aos familiares e ao corpo discente, em relação ao caso.

“Também foi agendada uma reunião com os pais da turma do aluno, que será realizada na segunda-feira, 7 de outubro”, informa o colégio. “A instituição está à disposição dos órgãos competentes e empenhado para que tudo seja esclarecido com urgência e celeridade”, conclui a nota.

O suspeito, que já estaria trabalhando em uma escolinha infantil do bairro Palmares, na mesma região, foi procurado pela reportagem, pelas redes sociais, mas não respondeu.

Desespero

A mãe da criança, de 45 anos, conta que descobriu o suposto abuso no sábado da semana passada (28). “Há duas semanas, ele já vinha tendo um comportamento muito estranho, querendo me beijar na boca. Não é o habitual nosso aqui em casa, não vejo novela, nada, e achei esquisito aquele negócio de ele querer me beijar. E era assim: era só eu sentar no sofá e lá vinha ele. Pensei comigo: ‘Vou deixar ele encostar, tipo um selinho’. Aí, eu quis saber quem estava fazendo isso com ele, pois isso não era normal de uma criança da idade dele, meu filho. Eu o perguntei quem fazia isso com ele, se era um coleguinha, a professora, ajudante de professora, e ele não respondia”, conta a mãe.

A mãe conta que o filho está aprendo a escrever o nome dele, que já conhece as letras, e ela perguntou qual a primeira letra da pessoa que estava fazendo aquilo com ele. O garoto, então, perguntou à mãe com que letra começava o nome da pessoa, revelando a ela quem era, e ela descobriu tratar-se do assistente do professor de educação física.

“Meu mundo caiu”, chorou a mãe.

Ela conta que quis saber do filho o que mais o suspeito fazia com ele. “Eu estava sentada no sofá. Ele ficou em pé. E aí, ele pressionou a minha cabeça nas partes íntimas dele. Aí, eu falei: ‘Aiiii, meu Deus do céu!'”, relatou a mãe, aos prantos.

“O que mais ele faz com você?”, quis saber a mãe. “Ele disse que manda colocar na boca, manusear. Aí, eu parei. Não aguentei”, conta a mãe, que imediatamente entrou em contato com o marido, pai da criança.

Denúncia formal na polícia

Na segunda-feira seguinte, o pai entrou em contato com a escola, que marcou uma entrevista com ele e a mulher no dia seguinte. Eles foram informados que o suspeito já estava desligado da instituição.

“Eu falei: ‘Eu vou denunciar, esse cara é um criminoso. Ele é um pedófilo. Ele pode fazer na outra escolinha'”, relatou a mãe, que registrou queixa na Dopcad. Na quinta-feira, ela retornou à delegacia para a criança ser avaliada por uma psicóloga da Polícia Civil.

A mãe foi ouvida pela delegada, que pediu a ela contatos de outras mães de alunos da escola. O garoto foi encaminhado ao Hospital Odilon Behrens, que é referência nesse tipo de atendimento, onde o menino foi examinado por uma pediatra.

A mãe conta que o garoto concordou com a pediatra para falar sem a presença dela. “Eu saí, fechei a porta e fiquei do lado de fora. Com a pediatra, que entrou no mundinho dele, ele falou que o rapaz o ajudava a ir ao banheiro. E a pediatra perguntou: ‘E o que ele faz?’. E ele disse: ‘Ele tira a minha roupa e põe o dedo'”, relatou a mãe, dizendo que o filho apontou a região onde era abusado.

A mãe conta que tem mais duas meninas, que estudam no mesmo colégio. Ela deixou as filhas com a avó para levar, junto com o marido, o menino ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. Segundo ela, não ficou confirmado que houve conjunção carnal, mas que o abuso foi feito de outra forma, relatou a mãe.

O laudo foi encaminhado para a delegada responsável pelo inquérito.

“O que estou passando não está sendo fácil”, chorou a mãe. Segundo ela, o filho está muito agitado. “Ele não come comida salgada, não consegue dormir”, disse.

“Para a pediatra, o meu filho disse que havia mais coleguinhas no banheiro e que ele fazia a mesma coisa. A pediatra tentou nomes com o meu filho, mas ele não falou”, relatou a mãe.

Preocupação

Vários grupos de pais de alunos do colégio criaram grupos no WhatsApp onde dividem preocupações com o que pode acontecido com seus filhos. Em um deles, os pais organizam um protesto na próxima segunda-feira, na porta da instituição de ensino.

“Os pais estão enlouquecidos. Meu marido está anestesiado. Acho que ele não está acreditando. É a reação dele. Eu estou em estado de choque. Toda hora eu choro e chamo a minha irmã. Não consigo dormir”, disse a mãe do garotinho.

Investigações

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil, para ver o andamento das investigações. A instituição informou apenas que o caso está sendo investigado pela Dopcad e que na segunda-feira (7) dará mais detalhes.

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